O que você faria para viralizar nas redes?

O que você faria para viralizar nas redes?
Postaria uma falha do seu marido?
Exporia uma fragilidade do seu filho?
Mostraria um deslize do seu vizinho?
Forjaria que seu pet destruiu algo importante pra você?
Faria sua irmã repetir uma queda que viralizou em outro perfil?
Se pintaria de forma vexatória?
Faria um vídeo íntimo “vazar”?
Criaria uma polêmica com um colega de trabalho com quem sempre teve uma relação amistosa?
E, digamos que seu vídeo viralizou e teve milhões de curtidas, comentários positivos (e negativos), outras páginas compartilhando…
E se passaram dois dias, duas semanas… E o vídeo foi perdendo a graça, a beleza…
O que você vai fazer?
Tentar fazer um vídeo igual?
Ou a cópia de outro vídeo, de outro perfil?
Tentar fazer a criança repetir a mesma reação?
Ou esperar o marido repetir a mesma falha?
E você atrai atenção de obcecados por seu filho, críticas ao seu marido e a empresa que “permite que seu colega cometa aquele absurdo”, piadas de duplo sentido sobre seu corpo, seu rosto, a aparência das pessoas que você ama, as conclusões de que seu vizinho ou familiar tem o caráter duvidoso… mas, você viralizou.
Como se sente agora?
Até pouco tempo atrás, as bobagens que cometíamos eram esquecidas com o tempo.
Agora, elas ficam gravadas, registradas e se tornam de domínio público.
E são relembradas por outras pessoas e perfis a cada vez que o engajamento cai…
O marido ofendido se sente péssimo.
A criança começa a se forçar a repetir a mesma coisa pra ter atenção.
O colega de trabalho te evita.
O vizinho não se sente mais confortável em conversar com você por medo de que você “vaze” detalhes da conversa…
E, tudo isso, por quê?
Para quê?
Valeu a pena?
Pra quem?
A falsa ilusão da atenção virtual que cobre uma ferida muito mais profunda: a carência e falta de realização pessoal.
O que ninguém conta é que as pessoas do outro lado da tela não estão nem aí para você.
Elas querem somente diversão temporária, custe o que custar!
Elas vão desabafar nos comentários porque também buscam a mesma atenção que você.
Repare os vídeos de pessoas contando tragédias: abaixo há a competição enorme de pessoas contando as próprias mazelas para conseguirem um pouco de atenção também.
Talvez este buraco se resolva saindo um pouco das telas e dando atenção à realidade.
Entendendo que suas ações afetam a todos que estão à sua volta.
Valorizando as pequenas coisas que tornam sua vida boa, feliz.
Parando de comparar sua vida com o teatro que a “influenciadora” criou pra te vender.
Desfrutando mais que mostrando.
Entendendo que a vida comum é muito melhor do que a falsamente extraordinária.
Talvez o seu propósito (a palavra da moda) seja se realizar e ser feliz experienciando e valorizando ser quem você é!


