Sobre se relacionar e ser amada

Em algum momento, alguém decidiu que os homens são ruins e relacionamento é a pior coisa do mundo!

E então, criou-se um grupo de pessoas que odeiam todos os homens e mulheres que acreditam em relacionamentos conjugais.
Deixa eu contar um segredo para vocês: todos nós vemos a vida com os óculos de nossas crenças, que foram formadas pelas coisas que vimos, experienciamos e escutamos na infância e, principalmente, pelos comportamentos e falas das pessoas que tínhamos como referência.
Você sabe a diferença entre lei e crença?
Lei é lei e se aplica em 100% dos casos.
Crenças são construídas com base nas nossas experiências.
Se o que você acredita não se aplica em 100% dos casos, ela não é uma lei e sim uma crença.
E se é uma crença, ela pode ser mudada.
Talvez seu pai tenha sido um babaca.
Talvez sua mãe tenha feito escolhas ruins de parceiros.
E você cresceu acreditando que era assim que todos os homens eram e você seria diferente da sua mãe.
Inconsciente, seu subconsciente buscava validar esta crença, fazendo com que você visse os mesmos padrões se repetindo com a vizinha, sua irmã, uma prima, uma amiga…
Talvez você tenha se envolvido emocionalmente com alguém no qual desde o início você já buscava um deslize para continuar validando esta crença e o deslize veio.
Então você respirou aliviada porque comprovou sua crença de que homens não prestam.
Então, todo relacionamento bom que você olha busca algum defeito, acha que é mentira, fingimento.
Pra você é inconcebível que exista outra forma de viver e se relacionar se não as que você, inconscientemente, aprendeu.
Mas, deixa eu te contar uma coisa: nosso Universo é do tamanho de nosso conhecimento.
E se existirem outras formas de ver o mundo além das que seus óculos te permitissem ver?
E se fosse possível se relacionar de forma harmônica e saudável?
E se você pudesse fazer diferente do que esperam de você e quebrasse estes padrões?
Quando me fiz essas perguntas, anos atrás, entendi que não adiantava buscar lá fora.
Primeiro eu teria que corrigir aquela crença.
Ela não era minha.
Terapia, estudo diário e uma meta: ser feliz, independente de ter alguém ao meu lado.
Então comecei a observar em mim as características que me tornaram uma pessoa não tão legal de se relacionar.
Por exemplo, querer ter razão sempre, ter dificuldade de ceder, baixa autoestima que culminava numa necessidade constante de validação, mau humor… ora, se eu queria ao meu lado um cara feliz, companheiro, calmo, que me tratasse como uma rainha, porque ele ia querer estar ao lado de uma pessoa que o tratava como se não merecesse nem estar perto de mim?
E lá fui eu equilibrar essas e outras coisas, por anos, até o momento em que estava tão feliz, independente de ter alguém ao lado ou não.
Foi o período que mais estudei e trabalhei em mim.
Minha pele estava perfeita de tão feliz que eu estava.
Então eu tomei a decisão, deixei claro para o universo o que eu queria e como (se quiser, deixo o passo a passo aqui em outro material) e dois meses depois ele chegou.
Estamos juntos há 7 anos e muito (muito) felizes.
Desfrutamos da presença um do outro e é maravilhoso compartilhar a vida com ele.
Sim, ambos têm que ceder, fazer concessões. Não existe relacionamento sem isso.
Se você diz que quer se relacionar mas não quer ceder em nada e acha que este papel é apenas do outro, você não quer um relacionamento, quer um “escravo”.
Julgar, xingar o relacionamento das outras pessoas demonstra o quanto você deseja o mesmo mas não tem coragem de assumir.
Seja honesta com você mesma.
O processo pode ser lento, parecer demorado, mas funciona.
Não tem como não funcionar.
Mas, até onde você está disposta a ir pra conseguir o que quer?
Entendo que podem ter te ferido, magoado.
E eu sinto muito por isso.
De verdade.
Já estive aí.
Mas existe um mundo muito maior do que os seus óculos (embaçados de sofrimento) conseguem enxergar.
Você tem interesse em descobrir?
Está disposta a isso?

Pense sobre…

Kássia Luana

Kássia Luana

Escritora e empresária, atua na área de comunicação há mais de 15 anos

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